Não me refiro a carteiristas, nem a apalpadores...
Tem antes a ver com uma operação militar típica da Cavalaria: assalto e destruição.
Vou contar um golpe de mão a uma castiça aldeia alentejana. Em 1967, antes do embarque para Moçambique (33 dias
no Niassa...).
A esta distância no tempo, até eu acho piada.
Acho que esqueci mesmo as terríveis melgas, formigas a entrar por nós dentro ...ah, e as lagartixas...
O meu batalhão (B.Cav.1923), 660 homens em plena quinzena de IAO (instrução de aperfeiçoamento operacional), bivacado, ie, acampado, em plena Serra D'Ossa. Dia e noite. Muito quente e muito frio, à vez...
Comandante o nosso tenente-coronel, 2 majores, capitães, etc.
Nesse período fomos muito inspecionados por oficiais superiores: 2 generais e um coronel.
Cheios de excelentes conselhos operacionais...muita experiência...
Tenente ainda, comandante da Companhia de Cavalaria 1730, fui encarregado de fazer um golpe de mão a uma pequena aldeia na Serra D'Ossa. Fomos acompanhados apenas pelo major de operações do batalhão, em avaliação técnica da operação. Dizia-se que o major tinha sido comandante da GNR no Porto. A comissão a Moçambique era para possibilitar a promoção mais rápida a tenente-coronel.
O major não me gramava, odiava os milicianos...
A meio da noite, arranque a pé para o golpe de mão. Tudo silencioso. Sempre fui um bocado desorientado..., mas com a ajuda da bússola e dos meus 3 guarda-costas, lá conseguimos descobrir a aldeia, ainda noite fechada.
Começámos a montar o cerco.
Começou a amanhecer. Silêncio de humanos, só o som dos canitos da aldeia.
Como diriam os "alemães" na série Allô-Allô, os camponeses alentejanos começavam a sair da aldeia, cajado na mão, garrafinha de tinto na outra, passavam por entre nós, ligando-nos muito pouco...já tinham "sofrido" golpes de mão anteriores...Alguns diziam "bom-dia, camaradas"...mas poucos...
Já tinha a maroteira preparada, gritei alto, no meio do silêncio da manhã:
CARREGAR ARMAS!
A minha Whalter de 9 mm perto da cabeça do major, meti a bala na câmara...Som esmagador...
O major gaguejou: que é que está a fazer, SP (eu)?
É para dar verdade à operação, resposta.
Passei a ter boas notas entre os comandantes de companhia do batalhão...
E não gozem o major...Qualquer um se mijava...
sexta-feira, 25 de julho de 2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
A descolonização no nosso tempo...
Descolonização pacífica? Ou não... Dolorosa sempre...Os que saem, deixam lá tudo o que fizeram...Alicerces construídos com muito suor, com muita alma, mas em cima de areia...É triste mas é a vida...
E nunca esqueçam: muitos jovens mortos, obrigados a defender o sistema colonial...
Sem sombra de dúvida, a maior perda!
Mas...
na colonização portuguesa, criámos novos países, criámos um embrião de unidade nacional entre povos que só se encontravam quando entravam em guerra uns com os outros. Por outras palavras, criámos nações!
Esta a maior herança dos portugueses que lá nasceram, que lá viveram, que lá construíram ... que lá deixaram tudo.
Porque: não ser colonizado é um direito fundamental dos humanos.
E nunca esqueçam: muitos jovens mortos, obrigados a defender o sistema colonial...
Sem sombra de dúvida, a maior perda!
Mas...
na colonização portuguesa, criámos novos países, criámos um embrião de unidade nacional entre povos que só se encontravam quando entravam em guerra uns com os outros. Por outras palavras, criámos nações!
Esta a maior herança dos portugueses que lá nasceram, que lá viveram, que lá construíram ... que lá deixaram tudo.
Porque: não ser colonizado é um direito fundamental dos humanos.
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