sexta-feira, 25 de julho de 2014

GOLPES DE MÃO...

Não me refiro a carteiristas, nem a apalpadores...

Tem antes a ver com uma operação militar típica da Cavalaria: assalto e destruição.

Vou contar um golpe de mão a uma castiça aldeia alentejana. Em 1967, antes do embarque para Moçambique (33 dias
no Niassa...).

A esta distância no tempo, até eu acho piada.

Acho que esqueci mesmo as terríveis melgas, formigas a entrar por nós dentro ...ah, e as lagartixas...

O meu batalhão (B.Cav.1923), 660 homens em plena quinzena de  IAO (instrução de aperfeiçoamento operacional), bivacado, ie, acampado, em plena Serra D'Ossa. Dia e noite. Muito quente e muito frio, à vez...

Comandante o nosso tenente-coronel, 2 majores, capitães, etc.

Nesse período fomos muito inspecionados por oficiais superiores: 2 generais e um coronel.

Cheios de excelentes conselhos operacionais...muita experiência...

Tenente ainda, comandante da Companhia de Cavalaria 1730, fui encarregado de fazer um golpe de mão a uma pequena aldeia na Serra D'Ossa. Fomos acompanhados apenas pelo major de operações do batalhão, em avaliação técnica da operação. Dizia-se que o major tinha sido comandante da GNR no Porto. A comissão a Moçambique era para possibilitar a promoção mais rápida a tenente-coronel.

O major não me gramava, odiava os milicianos...

A meio da noite, arranque a pé para o golpe de mão. Tudo silencioso. Sempre fui um bocado desorientado..., mas com a ajuda da bússola e dos meus 3 guarda-costas, lá conseguimos descobrir a aldeia, ainda noite fechada.

Começámos a montar o cerco.

Começou a amanhecer. Silêncio de humanos, só o som dos canitos da aldeia.

Como diriam os "alemães" na série Allô-Allô, os camponeses alentejanos começavam a sair da aldeia, cajado na mão, garrafinha de tinto na outra, passavam por entre nós, ligando-nos muito pouco...já tinham "sofrido" golpes de mão anteriores...Alguns diziam "bom-dia, camaradas"...mas poucos...

Já tinha a maroteira preparada, gritei alto, no meio do silêncio da manhã:

CARREGAR ARMAS!

A minha Whalter de 9 mm perto da cabeça do major, meti a bala na câmara...Som esmagador...

O major gaguejou: que é que está a fazer, SP (eu)?

É para dar verdade à operação, resposta.


Passei a ter boas notas entre os comandantes de companhia do batalhão...

E não gozem o major...Qualquer um se mijava...







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