Einstein não simpatizava com os filósofos...
Porque, como dizia, tudo deve ser o mais simples possível, mas não mais simples.
E não vale a pena criar enredos à volta das leis da Física. Porque são leis da Física, demonstradíssimas! Ponto final.
Isto para afirmar que as memórias não nos destroem nada...como avisam alguns filósofos...
Já contei aqui o que foi o meu ano de 1966: bem casadinho, dois filhotes já a andar, curso de Economia acabado, recrutado obrigatoriamente pelo Exército para o curso de capitães; objetivo render capitães do quadro permanente na guerra do Ultramar.
Como qualquer luso, o proibido não me repugna quando limitam os meus direitos básicos. O Rui ainda hoje me chama de insurreto...
E foi assim:
Em 1967 para se sair de Portugal era preciso uma licença militar, isto no masculino.
Que ninguém ma passava, claro, estava nomeado para Moçambique.
O meu batalhão aguardou o embarque em Portalegre - bifinhos no Tarro - já lá foram?
Vi que o quartel do Batalhão de Caçadores (Infantaria) de Portalegre, onde estávamos, como praça militar de fronteira, passava facilmente licenças de poucos dias para os militares poderem ir ver las chicas...las chicas...las chicas... ("doido compulsivo...")
Consegui uma destas licenças.
A 7 dias do embarque no Niassa, meti-me no carocha, passaporte em dia mais licença militar, deixaram-me sair para Espanha.
Só que continuei até Paris.
Pela terceira vez no quartier latin...hotel, sair para jantar, sentar na borda do passeio, junto a dezenas de jovens, muitos hipis...o conforto duma FN no bolso..., olhos quase fixos na Notre Dame, em frente...A nossa civilização...
Que emoção...
No dia seguinte, metro, até à sede da OCDE.
Concierge, escada alcatifada, circular, 1º andar. Muitos quadros nas paredes, pinturas originais dos maiores pintores de sempre -.pareceu-me...Veio um funcionário engravatado, muito alinhado, convidar-me para esperar numa sala, que havia muitas hipóteses, porque economista, de obter lá emprego.
Saiu.
E eu saí também a seguir. Metro, pagar o hotel, meter-me no carocha e aí vai ele...embarcar no Niassa...
NÃO CONSEGUI FUGIR...
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
NEGOMANO - 1ª SITUAÇÃO
Primeira situação em Negomano.
Ao fim de 2 dias de sobreposição, a companhia de caçadores (Infantaria) que fomos render partiu para Mueda.
O comandante da companhia - capitão miliciano (como eu) - já tinha partido de avião. Levaram a nossa Berlier (rebenta-minas) e todos os Unimogs.
Ficámos sós na 1ª fieira de arame farpado...nós, a Companhia de Cavalaria 1730...
Uma certa emoção...para todos nós...166 checa-checas (maçaricos em Angola)...
Ao fim dumas 3 horas de terem partido ouviu-se uma rajada de G3 duma sentinela dum dos nossos postos.
Era o sinal de alarme. O pessoal dos postos da frente saltou e instalou-se na vala: 2 bazucas e 3 morteiros 60 preparados. Depois mais todo o pelotão de piquete também instalado.
Muitas armas apontadas para a nuvem que se aproximava.
Belo binóculo, afinal era um jipe português que se aproximava a uns dois Kms. de distância.
Chegaram, bem armados, a coluna tinha tido um acidente muito grave.
Já tinha calculado que tinha havido problema com a coluna de caçadores que partira. Como tinham levado a berlier e os unimogues só tínhamos o meu jipe e o jipão do administrador de posto (Dr. Diamantino, beirão). Instalámos dois atrelados. O pelotão de piquete queria todo embarcar. Tive que excluir muitos, aos gritos. O administrador de posto, português valente como todos os outros, espingarda de repetição de caça grossa, foi um dos primeiros a saltar para o volante do seu jipão. Conduzi o jipe militar.
Ponte tosca de madeira partida a cerca de uma hora e meia de distância. Unimogue todo partido em baixo no ribeiro. Várias baixas, estado lastimoso. Trouxemos todos, ao colo... Todos cheios de sangue...vivos ou não...Até eu ao volante, cheio de sangue...E não só...Horror...
A Companhia de Caçadores continuou para Mueda. Iam dormir no mato e partir ao amanhecer.
Os nossos dois jipes e atrelados gemeram com o peso do pessoal, mas chegámos a Negomano.
Helicóptero e dornier (avião monomotor) de Mueda já tinham chegado a Negomano. Carregados, levantaram bem para o hospital militar de Mueda. Cirurgião chefe de Mueda, Dr. Manuel de Jesus (capitão) - perdoe-me ferir a sua modéstia - extremamente competente, era um "Deus" para o pessoal.
Os que tinham hipótese de se salvarem não morreriam...
Mas nunca soubemos mais nada...Foi sempre assim, nunca sabíamos mais nada...
Ao fim de 2 dias de sobreposição, a companhia de caçadores (Infantaria) que fomos render partiu para Mueda.
O comandante da companhia - capitão miliciano (como eu) - já tinha partido de avião. Levaram a nossa Berlier (rebenta-minas) e todos os Unimogs.
Ficámos sós na 1ª fieira de arame farpado...nós, a Companhia de Cavalaria 1730...
Uma certa emoção...para todos nós...166 checa-checas (maçaricos em Angola)...
Ao fim dumas 3 horas de terem partido ouviu-se uma rajada de G3 duma sentinela dum dos nossos postos.
Era o sinal de alarme. O pessoal dos postos da frente saltou e instalou-se na vala: 2 bazucas e 3 morteiros 60 preparados. Depois mais todo o pelotão de piquete também instalado.
Muitas armas apontadas para a nuvem que se aproximava.
Belo binóculo, afinal era um jipe português que se aproximava a uns dois Kms. de distância.
Chegaram, bem armados, a coluna tinha tido um acidente muito grave.
Já tinha calculado que tinha havido problema com a coluna de caçadores que partira. Como tinham levado a berlier e os unimogues só tínhamos o meu jipe e o jipão do administrador de posto (Dr. Diamantino, beirão). Instalámos dois atrelados. O pelotão de piquete queria todo embarcar. Tive que excluir muitos, aos gritos. O administrador de posto, português valente como todos os outros, espingarda de repetição de caça grossa, foi um dos primeiros a saltar para o volante do seu jipão. Conduzi o jipe militar.
Ponte tosca de madeira partida a cerca de uma hora e meia de distância. Unimogue todo partido em baixo no ribeiro. Várias baixas, estado lastimoso. Trouxemos todos, ao colo... Todos cheios de sangue...vivos ou não...Até eu ao volante, cheio de sangue...E não só...Horror...
A Companhia de Caçadores continuou para Mueda. Iam dormir no mato e partir ao amanhecer.
Os nossos dois jipes e atrelados gemeram com o peso do pessoal, mas chegámos a Negomano.
Helicóptero e dornier (avião monomotor) de Mueda já tinham chegado a Negomano. Carregados, levantaram bem para o hospital militar de Mueda. Cirurgião chefe de Mueda, Dr. Manuel de Jesus (capitão) - perdoe-me ferir a sua modéstia - extremamente competente, era um "Deus" para o pessoal.
Os que tinham hipótese de se salvarem não morreriam...
Mas nunca soubemos mais nada...Foi sempre assim, nunca sabíamos mais nada...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
AVIÃO...AVIÃO...GRITAVA O PESSOAL...
Era a loucura no aquartelamento...
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O AMOR A 40 GRAUS... CELSIUS...
1. Acto ou efeito de cafrealizar ou de se cafrealizar.
2. [Depreciativo] [Depreciativo] Adoção por parte dos europeus de comportamentos associados aos indígenas africanos.
"cafrealização", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/cafrealiza%C3%A7%C3%A3o [consultado em 08-09-2014].
Éramos um grupo de 166 em Negomano, no Rovuma e no Lugenda, em 1967. Só salsichas...
Excluindo 2 dos sargentos do quadro permanente mais velhos, todos em idade de amar...
Nós os lusitanos nunca fomos esquisitos nessa área...
Quando um casal se junta, há automaticamente um merge, uma mistura de hábitos de um e de outro.
Cafrealizar não existe em português. Só para alguns tugas com manias de importância pessoal, tipo europeus bem
instalados...
E foi assim:
Éramos a Companhia de Cavalaria 1730, sediada em Negomano, no meio de duas altas fieiras de arame farpado.
Pertencíamos ao Batalhão de Cavalaria 1923, sediado em Mocímboa do Rovuma, com uma companhia operacional, a Companhia de Cavalaria 1729, e a CCS (Companhia de Comando e Serviços).
A restante companhia operacional em Nangade, Companhia de Cavalaria 1728.
Na nossa, a 1730, havia 3 ranchos diferentes:
O dos oficiais (6 manos), mais o administrador de posto português, sua esposa e filha.
O dos sargentos.
E o dos cabos e soldados.
O chefe do rancho dos soldados era o Soares, 1º cabo cozinheiro. Alentejano alto, forte, bem parecido.
Há muita mariquice num grupo de machos, e já me tinha soado que o Soares assediava uma maconde muito bonita,
todos os dias, muito cedo, junto ao rio Lugenda, onde ela ia lavar roupa.
Mas eu, o chefe, não tinha nada com isso. Não prejudicava o trabalho dele.
Vou abreviar...
Um dia à tarde, estava eu na sala de comando a escrever e a ler papelada, cireps, citreps, neps, etc., quando me entra no
gabinete o alferes de piquete, todo artilhado...G3, 4 carregadores no cinto, granadas defensiva e ofensiva nas alças dos
ombros, faca de mato, ar feroz...
Meu capitão, tem lá em baixo à sua porta centenas de macondes em protesto. Eu já devia estar um pouco surdo,
porque não tinha reparado no barulho...
Sabe porquê? Parece que o Soares se agarrou a uma maconde hoje de manhã no Lugenda. Houve violação? Não,
toda a gente viu que não houve.
Chame o Soares e dois cipaios do administrador de posto, sff -só os cipaios falavam português.
O Soares entra no gabinete lavado em lágrimas, que a sua apaixonada afinal era casada sem ele ter percebido.
Povo Maconde, povo monogâmico de maioria Cristã.
Soares aterrado, porque sabia que lhe ia acontecer o costume em casos graves: eu tinha que lhe dar 2 dias de prisão
(simbólico, não havia prisão nenhuma...) e era transferido para a sede do batalhão, em Mocímboa do Rovuma.
O maior "terror" de Negomano: aturar o tenente-coronel e os 2 majores...
Soares, tens coragem para ir pedir desculpas públicas à maconde e ao marido? Os olhos brilharam-lhe...Era uma
alternativa...Já podia alistar-se na GNR, como queria...
Alferes...chame os dois cipaios cá acima, sff.
Vão perguntar ao casal se aceitam desculpas públicas do cabo cozinheiro.
Imaginem a cena: desço com o Soares, o alferes e os dois cipaios, avançamos por entre os macondes, Soares de
mão estendida, dentes muito brancos de alegria da maconde e do marido.
Abraços... extensíveis ao pelotão de piquete... Lágrimas.
Dispersar...
Em tempo
Por várias cenas como esta, as mocinhas e mocinhos macondes e macuas da escola de português de Negomano
cantavam o Hino Português no içar da Bandeira ao Domingo.
Sabiam o nosso Hino melhor do que eu, português da "centésima milionésima" geração...
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
NAMPULA 1968
Porque as memórias se esfumam como o vento...
7 meses e 18 dias. Evacuado para o hospital militar de Nampula. Pouco mais de um mês internado. Visitado pelo comandante de batalhão e por vários capitães em risco de me irem substituir em Negomano. Esperançados que eu voltasse para Negomano...Mas nem lá foram ver...A única visita de oficial superior a Negomano foi a do brigadeiro (major-general) Remígio, comandante do subsector Porto Amélia (Pemba), no Natal. Visita muito estimada - pessoal em grande isolamento. A CCAV 1730 ficou a ser comandada pelo alferes mais antigo, hoje distinto coronel.
Ao tomar o avião para Nampula, o BD, médico amigo, disse-me que o cirurgião-chefe de Mueda lhe tinha confidenciado que eu teria poucos meses de vida....
7 meses e 18 dias. Evacuado para o hospital militar de Nampula. Pouco mais de um mês internado. Visitado pelo comandante de batalhão e por vários capitães em risco de me irem substituir em Negomano. Esperançados que eu voltasse para Negomano...Mas nem lá foram ver...A única visita de oficial superior a Negomano foi a do brigadeiro (major-general) Remígio, comandante do subsector Porto Amélia (Pemba), no Natal. Visita muito estimada - pessoal em grande isolamento. A CCAV 1730 ficou a ser comandada pelo alferes mais antigo, hoje distinto coronel.
Ao tomar o avião para Nampula, o BD, médico amigo, disse-me que o cirurgião-chefe de Mueda lhe tinha confidenciado que eu teria poucos meses de vida....
Imaginem...estremeci bastante...no avião...e não era turbulência...
---------------------
Mas até melhorei, passei a tratamento ambulatório. Adido ao batalhão de Caçadores de Nampula (Infantaria). Mais graduado, fui nomeado comandante da companhia de caçadores adidos. Trezentos e muitos lusos. Muletas, etc., maioria em mau estado... Mas muitos eram jovens "marginais" psiquicamente desequilibrados, sãos fisicamente, presos várias vezes, incontroláveis nas suas unidades: os dirty dozen do filme...Tinham camas para dormir, mas em estrados de madeira, não tinham colchões. Luta com o Conselho Administrativo, consegui os trezentos e tal colchões de espuma…”Promovido a rei”… Pela primeira vez alguém estava a conseguir controlá-los. Até se levantaram (pela 1º vez) na visita do brigadeiro Domingues (major-general), chefe do Estado Maior General Avançado.
Tempo depois, fui chamado ao seu gabinete: elogiou-me..., se seria voluntário para acompanhar uma missão difícil, comandada por um major, que a minha experiência prática em Negomano seria importante. Que incluiria dois pelotões de caçadores (um era de sapadores) e dois pelotões de operações especiais - rangers, comandados por um capitão. Eu seria o 3º na cadeia de comando. E se conseguiria arranjar 60 voluntários entre os "marginais". Um dia para pensar.
Não gostei...era pessoal a mais...a contra-guerrilha não é assim...Mas...
Tinha resolvido oferecer-me para tudo...Preferia não voltar a Portugal vivo...
Reuni a companhia à minha volta. Entusiasmo louco..., ofereceram-se cerca de 150 voluntários...em grande bandalheira. Mandei destroçar e passados minutos fui convidá-los um a um...
Operação arrancou a meio da noite... e correu mal…para nós…. mais para uns que para outros... Outras se seguiram.., que correram bem...; tinham a ver com mísseis anti-aéreos que a guerrilha estava a usar...Mísseis? Quais mísseis...? Vários dos “marginais” foram promovidos por distinção: convites a meterem o “chico”… Reabilitação de muitos…Quase todos...
Cenas de guerra?... Mutarara: várias...Ficam por contar...
Entretanto o tempo foi passando, fui melhorando como no filme Hereafter (Outra Vida-não deixem de ver…).
Fase de treino de salto de viaturas em andamento, utilizando o treino enquanto adolescente de salto dos eléctricos em fuga ao picas...Treino espectacular com Tugas loucos...Farda já muito suja, tinha caído uma vez. Aproximam-se dois oficiais em farda número 1...pareciam generais...Acompanhe-nos, o nosso brigadeiro quer falar-lhe na sala de operações do Estado Maior. Lá fui, coração pequenino, "que é que terás feito...". Entrada na sala, mais de 100 oficiais presentes, recebi um louvor verbal do brigadeiro, "discurso infindável"...(a)
No final, com a cara já "muito quente", o major da Psico destacou-se dum grupo, correu para mim, fez uma vénia budista, e abraçou-me com alguma violência...
"É um bem-aventurado, capitão Sá Pereira",
Estranho! Nunca tive oportunidade de lhe perguntar o que queria dizer...
Regressado a Lisboa, ”mandei vir” rapidamente a Teresocas… na foto com os irmãos Rui e Paulo… e continuo mais ou menos ... muito obrigado... Passaram-se 43 anos, estou cada vez mais conteente de estar vivo e nunca tinha contado isto a ninguém...
Deficiente militar em campanha, sem direito a nada, o Exército ainda me trata por capitão e dizem que ainda estão a tratar do meu processo…
Operação arrancou a meio da noite... e correu mal…para nós…. mais para uns que para outros... Outras se seguiram.., que correram bem...; tinham a ver com mísseis anti-aéreos que a guerrilha estava a usar...Mísseis? Quais mísseis...? Vários dos “marginais” foram promovidos por distinção: convites a meterem o “chico”… Reabilitação de muitos…Quase todos...
Cenas de guerra?... Mutarara: várias...Ficam por contar...
Entretanto o tempo foi passando, fui melhorando como no filme Hereafter (Outra Vida-não deixem de ver…).
Fase de treino de salto de viaturas em andamento, utilizando o treino enquanto adolescente de salto dos eléctricos em fuga ao picas...Treino espectacular com Tugas loucos...Farda já muito suja, tinha caído uma vez. Aproximam-se dois oficiais em farda número 1...pareciam generais...Acompanhe-nos, o nosso brigadeiro quer falar-lhe na sala de operações do Estado Maior. Lá fui, coração pequenino, "que é que terás feito...". Entrada na sala, mais de 100 oficiais presentes, recebi um louvor verbal do brigadeiro, "discurso infindável"...(a)
No final, com a cara já "muito quente", o major da Psico destacou-se dum grupo, correu para mim, fez uma vénia budista, e abraçou-me com alguma violência...
"É um bem-aventurado, capitão Sá Pereira",
Estranho! Nunca tive oportunidade de lhe perguntar o que queria dizer...
Regressado a Lisboa, ”mandei vir” rapidamente a Teresocas… na foto com os irmãos Rui e Paulo… e continuo mais ou menos ... muito obrigado... Passaram-se 43 anos, estou cada vez mais conteente de estar vivo e nunca tinha contado isto a ninguém...
Deficiente militar em campanha, sem direito a nada, o Exército ainda me trata por capitão e dizem que ainda estão a tratar do meu processo…
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Os Nord Atlas, as Dorniers, ...e os T6...
sexta-feira, 4 de Abril de 2014
Em 1969 não havia quaisquer alterações de atitude em Portugal para com os movimentos armados pró-independência nas colónias.
O milhão de portugueses lá residente, quase na totalidade nascidos nas colónias, eram e sentiam-se africanos, africanos portugueses. A supremacia branca era visceral, nem davam por ela.
Os militares portugueses que foram lá defender o statu quo, a autoridade portuguesa implantada há séculos, tiveram, na minha opinião, um efeito mais importante: a defesa da vida dos nossos nacionais.
Este efeito mais importante era a razão que nos dava força, a nós oficiais milicianos e talvez à maioria dos oficiais do quadro permanente.
Não havia alternativa: para Salazar, Portugal eram país multicontinental e plurirracial...
Restava a esperança numa nova atitude política ... e continuava a guerra colonial...
A supremacia aérea é chave em qualquer conflito bélico.
A nossa supremacia aérea em 1968 e 69, em Moçambique, era exercida pelos aviões T6.
Monomotores de 2 lugares, eram aviões da 2ª guerra mundial, dizia-se que não planavam se com paragem de motor, por isso paraquedas.
Foram-lhes montados nas asas suportes para bombas, metralhadoras e ninhos de foguetes. Não se podia poupar mais: eram caças e bombardeiros...
Até que...
A guerrilha começou a usar mísseis terra ar, portáteis, várias origens, eficazes...
O objectivo da nossa missão anterior era a destruição do maior número possível desses lança mísseis. Missão falhada.
Sugeri em reuniões que na próxima missão nos centrássemos no objectivo, evitando contactos e baixas no percurso. Para isso era necessário esquecer as nep's, rebentar e não levantar as minas e fazer fogo de reconhecimento em percursos suspeitos, mesmo com paragens e lançamento de dilagramas. E que o pessoal na missão tivesse menos de 35 anos de idade.
Face aos bons resultados de Negomano, em que as deslocações para Mueda, Diaca e Sagal, eram ilegalmente feitas por esse método, os comandos do sector calaram as críticas às violações das nep 's. Os majores calaram a reacção por terem mais de 35 anos.
Não foi nada aprovado. Simplesmente não se falou mais nisso.
...
A ansiedade da espera pelo arranque da 2ª missão...Se com o treino físico o coração aumenta de tamanho, com a espera "diminui"...A escolha dos 50 elementos da minha companhia muito difícil... Só os incapacitados físicos não se ofereceram para alinhar. Tive que gritar que não estávamos numa democracia, repetidas vezes...
O Cosme já era alferes novamente e o Mata, um metro e oitenta e tal, imponente na sua farda número dois, farda de oficial porque tinha sido promovido a sargento ajudante, espadas de Cavalaria na boina, o nosso batalhão do Rovuma, vendedor de informática na vida civil, possibilidade de carreira militar à sua frente.
Penso que poucos dormiram na véspera do arranque. Saída planeada para as 5 da manhã. Amanhecia às 6...durante quase todo o ano...equador próximo...
Capitão P no comando (meu ex-instrutor no CIOE, Lamego), cabia-me o 2º lugar.
Uma berlier com atrelado, carregados de sacos de areia, como rebenta minas, 5 unimogues com os 2 pelotões de operações especiais, 2 jeeps com canhões sem recuo, mais 5 unimogues com a minha equipa after marginal, na palavra do brigadeiro.
A conduzir o rebenta minas o 1º cabo Feioso, ao lado, em pé, o Mata com uma metralhadora pesada mg qualquer coisa, instalada no para brisas. No meio dos 2 o Diogo, municiador, grande comprimento de fita à volta do pescoço...
Saímos ainda pela calada da noite. Muito pessoal com "tremuras", não vi queixos a bater...
Semblante assustador, o dos operações especiais...
As informações que tínhamos referiam um grande armazém na região de Mutarare, tipo supermercado actual, já costume africano da época
Um dia de picada. Em zonas ermas e suspeitas fizemos rajadas de reconhecimento; parámos duas vezes para rebentar minas. Parámos já noite a uma distância estimada de 3 Km. do armazém, segundo os nossos dois guias. Tínhamos-lhes oferecido duas espingardas de caça grossa...Muito solícitos...
Sentinelas de 2 em 2 horas na periferia. Dormitámos nos carros. O pessoal dos jeeps cobriram-nos de ramos de árvores. Bem camuflados.
Marcha apeada às 4 da manhã, lenta, operações especiais à frente com os dois guias, os dois jeeps, o meu pessoal atrás. Marchei...no primeiro jeep. Motores a gasolina, pouco ruído...Luzes apagadas...
Canhão sem recuo, por saída compensada dos gases de impulso, 84 mm, nunca tinha visto...Ao meu lado...Muitas cargas no chão do jeep...Os 4 artilheiros de auscultadores de tiro à volta do pescoço...Uma novidade...Municiado, segredou-me um deles.
Cães e outros animais em ruído habitual no mato, não nos ligavam nenhuma...
Ao fim de mais duma hora a coluna parou. Os jeeps avançaram lentamente por entre o arvoredo, ficando lado a lado.
O capitão P comunicou-me que estariam em posição frontal com o barracão...que estaria a uns 400 - 500 metros. Granadas não auto-propulsadas nos canhões sem recuo em posição de tiro.
Todos os morteiros apontados para a (eventual, sem se ver...) zona traseira do armazém.
Começava a amanhecer...
Adrenalina ao máximo...coração muito mais "pequeno", a tremer, mão na barriga...tremia por dentro...
Mas como de costume acabava tudo por ir ao sítio...
Comunicação do capitão P: depois dos primeiros disparos dos canhões sem recuo, crie um trilho entre o jeep da direita e o centro do barracão. Bazucadas a partir de 100 metros à frente do jeep, de 20 em vinte metros até ao barracão. Desminagem do trilho...
Com as falhas, seriam uns 20 disparos ao todo. Ouvindo o meu telefonema, já tinham chamado o nosso artista bazuca, mais o municiador. O primeiro cabo Varicela e o seu esgar de orgulho...Mais o assistente do mestre, o Primo.
Tudo desenrascado, os dois primeiros tiros em cheio na zona central do barracão...Tiros ensurdecedores, tiros altos, parte da parede abaixo, parte do telhado abaixo.
Granadas de bazuca a criarem o trilho...Morteirada para trás do barracão em espera...
Um pequeno inferno...
Cessar fogo! Não tinha decorrido 40 minutos...
Uma longa espera...No silêncio possível.
Pessoal não armado a fugir por detrás do barracão...Guerrilha?
Um pelotão preparado para avançar pelo trilho para reconhecimento do armazém.
Canhões sem recuo apontados para a cratera criada com os dois tiros. Posição desenfiada do trilho.
Necessidade da possível desminagem dos primeiros 100 metros do trilho. Granadas ofensivas (sem estilhaço) lançadas para a frente, no trilho. Avanço a rastejar...
Entraram no armazém, sem tiros. Sem ninguém dentro.
Mais de 200 lança mísseis...diversos...milhares de granadas auto propulsionadas...
Trouxemos uns 10 lança mísseis e várias granadas. O resto destruído.
Regresso à base.
Sem baixas, de parte a parte. Só do equipamento destruído...
Jeep comigo, capitão P e Cosme...Pensão Arriscado...Bolacha araruta...Duche...Cama...
Faltou dizer: Os Nord Atlas eram uns excelentes aviões. Dois motores potentes a hélice, com dois foguetes nas pontas das asas na ajuda à descolagem. Levantámos de Nampula, direcção Nacala, sempre sobre as praias até Lourenço Marques. Carregadíssimos...Se parasse um motor, era planagem numa praia...Não seria a primeira vez...O que nos chateava era o pessoal da FAP não em serviço sempre a olhar se algum motor parava...
As Dorniers tinham só um motor, o mais barulhento que se possa imaginar...O alferes piloto foi um artista na ida para Porto Amélia, mas tinha a mania de picar sobre os aldeamentos macondes. Nem eu nem o alferes mais antigo da minha companhia, sentado atrás numa grade de cervejas, hoje distinto coronel, apelámos ao gregório...
O milhão de portugueses lá residente, quase na totalidade nascidos nas colónias, eram e sentiam-se africanos, africanos portugueses. A supremacia branca era visceral, nem davam por ela.
Os militares portugueses que foram lá defender o statu quo, a autoridade portuguesa implantada há séculos, tiveram, na minha opinião, um efeito mais importante: a defesa da vida dos nossos nacionais.
Este efeito mais importante era a razão que nos dava força, a nós oficiais milicianos e talvez à maioria dos oficiais do quadro permanente.
Não havia alternativa: para Salazar, Portugal eram país multicontinental e plurirracial...
Restava a esperança numa nova atitude política ... e continuava a guerra colonial...
A supremacia aérea é chave em qualquer conflito bélico.
A nossa supremacia aérea em 1968 e 69, em Moçambique, era exercida pelos aviões T6.
Monomotores de 2 lugares, eram aviões da 2ª guerra mundial, dizia-se que não planavam se com paragem de motor, por isso paraquedas.
Foram-lhes montados nas asas suportes para bombas, metralhadoras e ninhos de foguetes. Não se podia poupar mais: eram caças e bombardeiros...
Até que...
A guerrilha começou a usar mísseis terra ar, portáteis, várias origens, eficazes...
O objectivo da nossa missão anterior era a destruição do maior número possível desses lança mísseis. Missão falhada.
Sugeri em reuniões que na próxima missão nos centrássemos no objectivo, evitando contactos e baixas no percurso. Para isso era necessário esquecer as nep's, rebentar e não levantar as minas e fazer fogo de reconhecimento em percursos suspeitos, mesmo com paragens e lançamento de dilagramas. E que o pessoal na missão tivesse menos de 35 anos de idade.
Face aos bons resultados de Negomano, em que as deslocações para Mueda, Diaca e Sagal, eram ilegalmente feitas por esse método, os comandos do sector calaram as críticas às violações das nep 's. Os majores calaram a reacção por terem mais de 35 anos.
Não foi nada aprovado. Simplesmente não se falou mais nisso.
...
A ansiedade da espera pelo arranque da 2ª missão...Se com o treino físico o coração aumenta de tamanho, com a espera "diminui"...A escolha dos 50 elementos da minha companhia muito difícil... Só os incapacitados físicos não se ofereceram para alinhar. Tive que gritar que não estávamos numa democracia, repetidas vezes...
O Cosme já era alferes novamente e o Mata, um metro e oitenta e tal, imponente na sua farda número dois, farda de oficial porque tinha sido promovido a sargento ajudante, espadas de Cavalaria na boina, o nosso batalhão do Rovuma, vendedor de informática na vida civil, possibilidade de carreira militar à sua frente.
Penso que poucos dormiram na véspera do arranque. Saída planeada para as 5 da manhã. Amanhecia às 6...durante quase todo o ano...equador próximo...
Capitão P no comando (meu ex-instrutor no CIOE, Lamego), cabia-me o 2º lugar.
Uma berlier com atrelado, carregados de sacos de areia, como rebenta minas, 5 unimogues com os 2 pelotões de operações especiais, 2 jeeps com canhões sem recuo, mais 5 unimogues com a minha equipa after marginal, na palavra do brigadeiro.
A conduzir o rebenta minas o 1º cabo Feioso, ao lado, em pé, o Mata com uma metralhadora pesada mg qualquer coisa, instalada no para brisas. No meio dos 2 o Diogo, municiador, grande comprimento de fita à volta do pescoço...
Saímos ainda pela calada da noite. Muito pessoal com "tremuras", não vi queixos a bater...
Semblante assustador, o dos operações especiais...
As informações que tínhamos referiam um grande armazém na região de Mutarare, tipo supermercado actual, já costume africano da época
Um dia de picada. Em zonas ermas e suspeitas fizemos rajadas de reconhecimento; parámos duas vezes para rebentar minas. Parámos já noite a uma distância estimada de 3 Km. do armazém, segundo os nossos dois guias. Tínhamos-lhes oferecido duas espingardas de caça grossa...Muito solícitos...
Sentinelas de 2 em 2 horas na periferia. Dormitámos nos carros. O pessoal dos jeeps cobriram-nos de ramos de árvores. Bem camuflados.
Marcha apeada às 4 da manhã, lenta, operações especiais à frente com os dois guias, os dois jeeps, o meu pessoal atrás. Marchei...no primeiro jeep. Motores a gasolina, pouco ruído...Luzes apagadas...
Canhão sem recuo, por saída compensada dos gases de impulso, 84 mm, nunca tinha visto...Ao meu lado...Muitas cargas no chão do jeep...Os 4 artilheiros de auscultadores de tiro à volta do pescoço...Uma novidade...Municiado, segredou-me um deles.
Cães e outros animais em ruído habitual no mato, não nos ligavam nenhuma...
Ao fim de mais duma hora a coluna parou. Os jeeps avançaram lentamente por entre o arvoredo, ficando lado a lado.
O capitão P comunicou-me que estariam em posição frontal com o barracão...que estaria a uns 400 - 500 metros. Granadas não auto-propulsadas nos canhões sem recuo em posição de tiro.
Todos os morteiros apontados para a (eventual, sem se ver...) zona traseira do armazém.
Começava a amanhecer...
Adrenalina ao máximo...coração muito mais "pequeno", a tremer, mão na barriga...tremia por dentro...
Mas como de costume acabava tudo por ir ao sítio...
Comunicação do capitão P: depois dos primeiros disparos dos canhões sem recuo, crie um trilho entre o jeep da direita e o centro do barracão. Bazucadas a partir de 100 metros à frente do jeep, de 20 em vinte metros até ao barracão. Desminagem do trilho...
Com as falhas, seriam uns 20 disparos ao todo. Ouvindo o meu telefonema, já tinham chamado o nosso artista bazuca, mais o municiador. O primeiro cabo Varicela e o seu esgar de orgulho...Mais o assistente do mestre, o Primo.
Tudo desenrascado, os dois primeiros tiros em cheio na zona central do barracão...Tiros ensurdecedores, tiros altos, parte da parede abaixo, parte do telhado abaixo.
Granadas de bazuca a criarem o trilho...Morteirada para trás do barracão em espera...
Um pequeno inferno...
Cessar fogo! Não tinha decorrido 40 minutos...
Uma longa espera...No silêncio possível.
Pessoal não armado a fugir por detrás do barracão...Guerrilha?
Um pelotão preparado para avançar pelo trilho para reconhecimento do armazém.
Canhões sem recuo apontados para a cratera criada com os dois tiros. Posição desenfiada do trilho.
Necessidade da possível desminagem dos primeiros 100 metros do trilho. Granadas ofensivas (sem estilhaço) lançadas para a frente, no trilho. Avanço a rastejar...
Entraram no armazém, sem tiros. Sem ninguém dentro.
Mais de 200 lança mísseis...diversos...milhares de granadas auto propulsionadas...
Trouxemos uns 10 lança mísseis e várias granadas. O resto destruído.
Regresso à base.
Sem baixas, de parte a parte. Só do equipamento destruído...
Jeep comigo, capitão P e Cosme...Pensão Arriscado...Bolacha araruta...Duche...Cama...
Faltou dizer: Os Nord Atlas eram uns excelentes aviões. Dois motores potentes a hélice, com dois foguetes nas pontas das asas na ajuda à descolagem. Levantámos de Nampula, direcção Nacala, sempre sobre as praias até Lourenço Marques. Carregadíssimos...Se parasse um motor, era planagem numa praia...Não seria a primeira vez...O que nos chateava era o pessoal da FAP não em serviço sempre a olhar se algum motor parava...
As Dorniers tinham só um motor, o mais barulhento que se possa imaginar...O alferes piloto foi um artista na ida para Porto Amélia, mas tinha a mania de picar sobre os aldeamentos macondes. Nem eu nem o alferes mais antigo da minha companhia, sentado atrás numa grade de cervejas, hoje distinto coronel, apelámos ao gregório...
sexta-feira, 25 de julho de 2014
GOLPES DE MÃO...
Não me refiro a carteiristas, nem a apalpadores...
Tem antes a ver com uma operação militar típica da Cavalaria: assalto e destruição.
Vou contar um golpe de mão a uma castiça aldeia alentejana. Em 1967, antes do embarque para Moçambique (33 dias
no Niassa...).
A esta distância no tempo, até eu acho piada.
Acho que esqueci mesmo as terríveis melgas, formigas a entrar por nós dentro ...ah, e as lagartixas...
O meu batalhão (B.Cav.1923), 660 homens em plena quinzena de IAO (instrução de aperfeiçoamento operacional), bivacado, ie, acampado, em plena Serra D'Ossa. Dia e noite. Muito quente e muito frio, à vez...
Comandante o nosso tenente-coronel, 2 majores, capitães, etc.
Nesse período fomos muito inspecionados por oficiais superiores: 2 generais e um coronel.
Cheios de excelentes conselhos operacionais...muita experiência...
Tenente ainda, comandante da Companhia de Cavalaria 1730, fui encarregado de fazer um golpe de mão a uma pequena aldeia na Serra D'Ossa. Fomos acompanhados apenas pelo major de operações do batalhão, em avaliação técnica da operação. Dizia-se que o major tinha sido comandante da GNR no Porto. A comissão a Moçambique era para possibilitar a promoção mais rápida a tenente-coronel.
O major não me gramava, odiava os milicianos...
A meio da noite, arranque a pé para o golpe de mão. Tudo silencioso. Sempre fui um bocado desorientado..., mas com a ajuda da bússola e dos meus 3 guarda-costas, lá conseguimos descobrir a aldeia, ainda noite fechada.
Começámos a montar o cerco.
Começou a amanhecer. Silêncio de humanos, só o som dos canitos da aldeia.
Como diriam os "alemães" na série Allô-Allô, os camponeses alentejanos começavam a sair da aldeia, cajado na mão, garrafinha de tinto na outra, passavam por entre nós, ligando-nos muito pouco...já tinham "sofrido" golpes de mão anteriores...Alguns diziam "bom-dia, camaradas"...mas poucos...
Já tinha a maroteira preparada, gritei alto, no meio do silêncio da manhã:
CARREGAR ARMAS!
A minha Whalter de 9 mm perto da cabeça do major, meti a bala na câmara...Som esmagador...
O major gaguejou: que é que está a fazer, SP (eu)?
É para dar verdade à operação, resposta.
Passei a ter boas notas entre os comandantes de companhia do batalhão...
E não gozem o major...Qualquer um se mijava...
Tem antes a ver com uma operação militar típica da Cavalaria: assalto e destruição.
Vou contar um golpe de mão a uma castiça aldeia alentejana. Em 1967, antes do embarque para Moçambique (33 dias
no Niassa...).
A esta distância no tempo, até eu acho piada.
Acho que esqueci mesmo as terríveis melgas, formigas a entrar por nós dentro ...ah, e as lagartixas...
O meu batalhão (B.Cav.1923), 660 homens em plena quinzena de IAO (instrução de aperfeiçoamento operacional), bivacado, ie, acampado, em plena Serra D'Ossa. Dia e noite. Muito quente e muito frio, à vez...
Comandante o nosso tenente-coronel, 2 majores, capitães, etc.
Nesse período fomos muito inspecionados por oficiais superiores: 2 generais e um coronel.
Cheios de excelentes conselhos operacionais...muita experiência...
Tenente ainda, comandante da Companhia de Cavalaria 1730, fui encarregado de fazer um golpe de mão a uma pequena aldeia na Serra D'Ossa. Fomos acompanhados apenas pelo major de operações do batalhão, em avaliação técnica da operação. Dizia-se que o major tinha sido comandante da GNR no Porto. A comissão a Moçambique era para possibilitar a promoção mais rápida a tenente-coronel.
O major não me gramava, odiava os milicianos...
A meio da noite, arranque a pé para o golpe de mão. Tudo silencioso. Sempre fui um bocado desorientado..., mas com a ajuda da bússola e dos meus 3 guarda-costas, lá conseguimos descobrir a aldeia, ainda noite fechada.
Começámos a montar o cerco.
Começou a amanhecer. Silêncio de humanos, só o som dos canitos da aldeia.
Como diriam os "alemães" na série Allô-Allô, os camponeses alentejanos começavam a sair da aldeia, cajado na mão, garrafinha de tinto na outra, passavam por entre nós, ligando-nos muito pouco...já tinham "sofrido" golpes de mão anteriores...Alguns diziam "bom-dia, camaradas"...mas poucos...
Já tinha a maroteira preparada, gritei alto, no meio do silêncio da manhã:
CARREGAR ARMAS!
A minha Whalter de 9 mm perto da cabeça do major, meti a bala na câmara...Som esmagador...
O major gaguejou: que é que está a fazer, SP (eu)?
É para dar verdade à operação, resposta.
Passei a ter boas notas entre os comandantes de companhia do batalhão...
E não gozem o major...Qualquer um se mijava...
quarta-feira, 2 de julho de 2014
A descolonização no nosso tempo...
Descolonização pacífica? Ou não... Dolorosa sempre...Os que saem, deixam lá tudo o que fizeram...Alicerces construídos com muito suor, com muita alma, mas em cima de areia...É triste mas é a vida...
E nunca esqueçam: muitos jovens mortos, obrigados a defender o sistema colonial...
Sem sombra de dúvida, a maior perda!
Mas...
na colonização portuguesa, criámos novos países, criámos um embrião de unidade nacional entre povos que só se encontravam quando entravam em guerra uns com os outros. Por outras palavras, criámos nações!
Esta a maior herança dos portugueses que lá nasceram, que lá viveram, que lá construíram ... que lá deixaram tudo.
Porque: não ser colonizado é um direito fundamental dos humanos.
E nunca esqueçam: muitos jovens mortos, obrigados a defender o sistema colonial...
Sem sombra de dúvida, a maior perda!
Mas...
na colonização portuguesa, criámos novos países, criámos um embrião de unidade nacional entre povos que só se encontravam quando entravam em guerra uns com os outros. Por outras palavras, criámos nações!
Esta a maior herança dos portugueses que lá nasceram, que lá viveram, que lá construíram ... que lá deixaram tudo.
Porque: não ser colonizado é um direito fundamental dos humanos.
sexta-feira, 14 de março de 2014
MISSÃO: DESTRUIÇÃO DE LANÇA MÍSSEIS TERRA AR PORTÁTEIS.
Saída de Nampula às 4 da manhã, ruído normal dos camiões que vinham abastecer a cidade, com que nos cruzámos. Direcção grande área de Mutarare, local mal definido, a procurar...
Duas horas em velocidade muito baixa, pouco ruidosa.
De repente o inferno: ataque aos carros da frente.
Ataque repentino da guerrilha, instalada na vala direita da picada, de surpresa, em zona considerada não hostil. Muitas armas, explosões, o disparar de lança granadas, o cantar continuo de metralhadoras, algumas subsónicas. Troar diferente das nossas armas...
Mata! Leve os tubos dos morteiros para a vala esquerda! Deixe os pratos!
Cosme! Segurança na periferia do Mata! Armem as duas bazucas! Tiros só à vista!
Saltamos para a vala esquerda, 48 saltos para o vazio, 48 que éramos, os "marginais".... Caí mal, mas não me aleijei muito...Muitos nervos, muitos queixos a bater...
Calma, é o baptismo de fogo, gritei...Para a maioria...
Acertaram nos carros da frente. Carros a arder...
Amanhecia, ainda se via o sulco inicial vermelho das balas...farda ensopada, calor, mosquitos...Mas muita adrenalina...
Os 5 unimogues da nossa equipa, no fim da fila, não tinham sido atingidos.
Walkie talkie: major, major...sem resposta, mas som claro...S (capitão ranger), que é que faço?
Estamos a atirar dilagramas para a vala contrária... Atire morteirada para lá de 200 metros...bazucadas só para
lá de 300 metros. Durante 30 minutos. Depois vamos avançar...Avancem atrás de nós pela direita...
Começaram a chover as nossas granadas de morteiro na suposta rectaguarda da guerrilha. Que se notava pelo som
que teriam retirado da vala direita uns bons metros para trás.
Martins, não sobes à picada! És forte mas também sangras! Em grandes gritos...Quem subisse à picada seria
massacrado...De ambas as partes. Martins era um jovem ajudante de enfermeiro na vida civil, nortenho de grande coragem, convencia-se da sua capacidade de sobrevivência, ilimitada...
Mas vais ser o primeiro a subir! No meio do drama, algumas palmas de loucos...
A reacção da guerrilha era cada vez mais afastada.
S, tenho um voluntário para subir à picada, se possível por detrás dum unimogue estoirado...Ok?
O capitão S tinha assumido o comando...O major devia estar gravemente ferido...ou pior...Ia no 2º carro da
frente...
Martins, andas 80 metros para a cabeça da coluna e falas com o capitão S. Só sobes à picada depois de falar com
ele. Depois ficas lá a ajudar aos feridos.
Cosme, assim que o Martins suba à picada, subimos nós mais o seu pelotão. Levem 2 tubos de morteiro e uma
bazuca. A guerrilha deve estar em fuga, mas temos que ver se há bunkers.
O aspirante Cosme comandava o 1º pelotão, punido por falta grave tinha sido despromovido de alferes. Mas o seu
comportamento já merecia a reposição de posto.
Mata comandava o nosso 2º pelotão, da equipa "marginal". Furriel miliciano, ferido em Nangade num ataque a
uma cantina da guerrilha, era um militar poderoso, sempre carregando a "sua" metralhadora pesada...
Mata, siga com o seu pessoal até ao capitão S.
Ao longe o Martins rastejou para a picada, debaixo dum unimogue estoirado, já a arder pouco. Desapareceu...
devia estar a espreitar para baixo, para a vala direita da picada...Levantou-se, grandes gestos chamando o
pessoal do capitão S.
Este subiu à picada acompanhado dos 2 pelotões de operações especiais. Morteiros instalados...morteirada...
A vala direita seguia por uma pequena planície de savana, muita vegetação com intervalos de capim, até ao
cume dum monte largo, a uns 1.500 metros de distância.
Como era de esperar, os guerrilheiros sentiram-se "sitiados" entre as granadas dilagramas do capitão S e os
morteiros da nossa equipa...
A guerrilha fugia para o monte, desaparecia na vegetação e voltava a aparecer. As granadas de morteiro caiam...
vários não voltaram a aparecer.
Tinham escolhido mal a pista de retirada...
Deixei o pelotão do Cosme com as viaturas e caminhei para a pequena clareira improvisada onde estavam os
feridos. Todos vivos! Alguns inconscientes...entrapados pelo sargento enfermeiro dos batedores. O major muito
queimado, cabeça entrapada, perda de massa encefálica, ao colo do Martins. Este mascarado de branco, nem o
reconheci.
Carros menos 3 virados para trás, feridos ao colo do pessoal, direcção Nampula hospital militar...
Jeep comigo, capitão S e Cosme para a pensão Arriscado. A messe de oficiais 2...messe 1 completa...Bom
clima em Nampula...
Duas horas em velocidade muito baixa, pouco ruidosa.
De repente o inferno: ataque aos carros da frente.
Ataque repentino da guerrilha, instalada na vala direita da picada, de surpresa, em zona considerada não hostil. Muitas armas, explosões, o disparar de lança granadas, o cantar continuo de metralhadoras, algumas subsónicas. Troar diferente das nossas armas...
Mata! Leve os tubos dos morteiros para a vala esquerda! Deixe os pratos!
Cosme! Segurança na periferia do Mata! Armem as duas bazucas! Tiros só à vista!
Saltamos para a vala esquerda, 48 saltos para o vazio, 48 que éramos, os "marginais".... Caí mal, mas não me aleijei muito...Muitos nervos, muitos queixos a bater...
Calma, é o baptismo de fogo, gritei...Para a maioria...
Acertaram nos carros da frente. Carros a arder...
Amanhecia, ainda se via o sulco inicial vermelho das balas...farda ensopada, calor, mosquitos...Mas muita adrenalina...
Os 5 unimogues da nossa equipa, no fim da fila, não tinham sido atingidos.
Walkie talkie: major, major...sem resposta, mas som claro...S (capitão ranger), que é que faço?
Estamos a atirar dilagramas para a vala contrária... Atire morteirada para lá de 200 metros...bazucadas só para
lá de 300 metros. Durante 30 minutos. Depois vamos avançar...Avancem atrás de nós pela direita...
Começaram a chover as nossas granadas de morteiro na suposta rectaguarda da guerrilha. Que se notava pelo som
que teriam retirado da vala direita uns bons metros para trás.
Martins, não sobes à picada! És forte mas também sangras! Em grandes gritos...Quem subisse à picada seria
massacrado...De ambas as partes. Martins era um jovem ajudante de enfermeiro na vida civil, nortenho de grande coragem, convencia-se da sua capacidade de sobrevivência, ilimitada...
Mas vais ser o primeiro a subir! No meio do drama, algumas palmas de loucos...
A reacção da guerrilha era cada vez mais afastada.
S, tenho um voluntário para subir à picada, se possível por detrás dum unimogue estoirado...Ok?
O capitão S tinha assumido o comando...O major devia estar gravemente ferido...ou pior...Ia no 2º carro da
frente...
Martins, andas 80 metros para a cabeça da coluna e falas com o capitão S. Só sobes à picada depois de falar com
ele. Depois ficas lá a ajudar aos feridos.
Cosme, assim que o Martins suba à picada, subimos nós mais o seu pelotão. Levem 2 tubos de morteiro e uma
bazuca. A guerrilha deve estar em fuga, mas temos que ver se há bunkers.
O aspirante Cosme comandava o 1º pelotão, punido por falta grave tinha sido despromovido de alferes. Mas o seu
comportamento já merecia a reposição de posto.
Mata comandava o nosso 2º pelotão, da equipa "marginal". Furriel miliciano, ferido em Nangade num ataque a
uma cantina da guerrilha, era um militar poderoso, sempre carregando a "sua" metralhadora pesada...
Mata, siga com o seu pessoal até ao capitão S.
Ao longe o Martins rastejou para a picada, debaixo dum unimogue estoirado, já a arder pouco. Desapareceu...
devia estar a espreitar para baixo, para a vala direita da picada...Levantou-se, grandes gestos chamando o
pessoal do capitão S.
Este subiu à picada acompanhado dos 2 pelotões de operações especiais. Morteiros instalados...morteirada...
A vala direita seguia por uma pequena planície de savana, muita vegetação com intervalos de capim, até ao
cume dum monte largo, a uns 1.500 metros de distância.
Como era de esperar, os guerrilheiros sentiram-se "sitiados" entre as granadas dilagramas do capitão S e os
morteiros da nossa equipa...
A guerrilha fugia para o monte, desaparecia na vegetação e voltava a aparecer. As granadas de morteiro caiam...
vários não voltaram a aparecer.
Tinham escolhido mal a pista de retirada...
Deixei o pelotão do Cosme com as viaturas e caminhei para a pequena clareira improvisada onde estavam os
feridos. Todos vivos! Alguns inconscientes...entrapados pelo sargento enfermeiro dos batedores. O major muito
queimado, cabeça entrapada, perda de massa encefálica, ao colo do Martins. Este mascarado de branco, nem o
reconheci.
Carros menos 3 virados para trás, feridos ao colo do pessoal, direcção Nampula hospital militar...
Jeep comigo, capitão S e Cosme para a pensão Arriscado. A messe de oficiais 2...messe 1 completa...Bom
clima em Nampula...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
NEGOMANO 1967
Em 1967 Negomano-Rovuma
1ª Imaginem, eu, tão novinho..., já instalado
2ª À chegada a Lisboa, eu, depois de carregar muita pedra para o "Castelo de S.Jorge"...
3ª Refugiados macondes: vindos da Tanzânia, Rovuma atravessado com água pelo peito (dos mais altos...), filhotes ao alto, já comeram, já beberam, exaustos, vão dormir...
Sem tiros, sem violências, nós Tugas somos assim...
1ª Imaginem, eu, tão novinho..., já instalado
2ª À chegada a Lisboa, eu, depois de carregar muita pedra para o "Castelo de S.Jorge"...
3ª Refugiados macondes: vindos da Tanzânia, Rovuma atravessado com água pelo peito (dos mais altos...), filhotes ao alto, já comeram, já beberam, exaustos, vão dormir...
Sem tiros, sem violências, nós Tugas somos assim...
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