Era a loucura no aquartelamento...
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
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