INTITULAM-SE DRAGÕES DO ROVUMA...
NÃO ESTAVAM NUMA GUERRA COLONIAL...A MAIORIA ESTAVA A DEFENDER "A PÁTRIA"...
MUITO NOVOS...MUITO INGÉNUOS...
O PREC DE 74 75 DEU-LHES CABO DOS MIOLOS...QUE PERDESSEM O RESPEITO PELOS ANTIGOS
GRAUS MILITARES AINDA SE PODERIA ACEITAR, PERDER O RESPEITO PELOS MAIS VELHOS, NÃO
E FOI O QUE ACONTECEU NA EX-COMPANHIA DE CAVALARIA 1730
NOS NOSSOS ALMOÇOS ANUAIS PASSARAM AO TU CÁ TU LÁ...
COM MAIS 10 ANOS DO QUE ELES, NAS PICADAS DO NORTE DE MOÇAMBIQUE, NÃO OS DEIXEI
LEVANTAR MINAS, ENSINEI-OS ANTES A REBENTAR MINAS...PESSOALMENTE...FISICAMENTE...
POUPEI-LHES A VIDA N VEZES...
E HOJE NÃO ME FALAM, PORQUE À SUA FALTA DE RESPEITO OS MANDEI APANHAR NO RA...NO RA...
NO RA...
Em tempo: bo
sábado, 20 de abril de 2019
sábado, 7 de maio de 2016
ANGELA MERKEL, CONSEGUIRÁ CORRIGIR A ALMA ALEMÃ?
-------- Mensagem Original --------
Havia uma estátua em Mueda, militares lusos, amontoados, mortos, farda portuguesa antiga...Tinha um nome: Aos Mártires de Negomano. Tropas alemãs na 1ª guerra mundial tinham morto todos os lusos aquartelados em Negomano...
Lembro-me dum militar da minha Companhia, CCAV 1730, ser fotografado pé em cima da estátua, G3 em riste...foto
heroica...militar do quadro permanente, graduado...
Tropas alemãs sempre muito perigosas...perigosamente disciplinadas...
Americanos, querem acabar com o estado islâmico? "Soltem" os alemães!
Em 2016-05-06 23:55, Carlos ... escreveu:
| Assunto: | Re: Mauthausen. 71 anos de libertação, 11 formas de morrer |
|---|---|
| Data: | 2016-05-07 14:16 |
| Remetente: | hsapereira@iol.pt |
| Para: | Carlos ...@netcabo.pt> |
Havia uma estátua em Mueda, militares lusos, amontoados, mortos, farda portuguesa antiga...Tinha um nome: Aos Mártires de Negomano. Tropas alemãs na 1ª guerra mundial tinham morto todos os lusos aquartelados em Negomano...
Lembro-me dum militar da minha Companhia, CCAV 1730, ser fotografado pé em cima da estátua, G3 em riste...foto
heroica...militar do quadro permanente, graduado...
Tropas alemãs sempre muito perigosas...perigosamente disciplinadas...
Americanos, querem acabar com o estado islâmico? "Soltem" os alemães!
Em 2016-05-06 23:55, Carlos ... escreveu:
“O Holocausto tornou claro que a barbárie mais abjecta pode ser obra de gente dita civilizada” F. Sarsfield Cabral ( D.N -2/02/2005)Só para relembrar , tal como escreveu Anne Frank , “””O QUE É FEITO NÃO PODE SER DESFEITO, MAS PODEMOS PREVENIR QUE ACONTEÇA NOVAMENTE “”.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
PARIS...1966...
Einstein não simpatizava com os filósofos...
Porque, como dizia, tudo deve ser o mais simples possível, mas não mais simples.
E não vale a pena criar enredos à volta das leis da Física. Porque são leis da Física, demonstradíssimas! Ponto final.
Isto para afirmar que as memórias não nos destroem nada...como avisam alguns filósofos...
Já contei aqui o que foi o meu ano de 1966: bem casadinho, dois filhotes já a andar, curso de Economia acabado, recrutado obrigatoriamente pelo Exército para o curso de capitães; objetivo render capitães do quadro permanente na guerra do Ultramar.
Como qualquer luso, o proibido não me repugna quando limitam os meus direitos básicos. O Rui ainda hoje me chama de insurreto...
E foi assim:
Em 1967 para se sair de Portugal era preciso uma licença militar, isto no masculino.
Que ninguém ma passava, claro, estava nomeado para Moçambique.
O meu batalhão aguardou o embarque em Portalegre - bifinhos no Tarro - já lá foram?
Vi que o quartel do Batalhão de Caçadores (Infantaria) de Portalegre, onde estávamos, como praça militar de fronteira, passava facilmente licenças de poucos dias para os militares poderem ir ver las chicas...las chicas...las chicas... ("doido compulsivo...")
Consegui uma destas licenças.
A 7 dias do embarque no Niassa, meti-me no carocha, passaporte em dia mais licença militar, deixaram-me sair para Espanha.
Só que continuei até Paris.
Pela terceira vez no quartier latin...hotel, sair para jantar, sentar na borda do passeio, junto a dezenas de jovens, muitos hipis...o conforto duma FN no bolso..., olhos quase fixos na Notre Dame, em frente...A nossa civilização...
Que emoção...
No dia seguinte, metro, até à sede da OCDE.
Concierge, escada alcatifada, circular, 1º andar. Muitos quadros nas paredes, pinturas originais dos maiores pintores de sempre -.pareceu-me...Veio um funcionário engravatado, muito alinhado, convidar-me para esperar numa sala, que havia muitas hipóteses, porque economista, de obter lá emprego.
Saiu.
E eu saí também a seguir. Metro, pagar o hotel, meter-me no carocha e aí vai ele...embarcar no Niassa...
NÃO CONSEGUI FUGIR...
Porque, como dizia, tudo deve ser o mais simples possível, mas não mais simples.
E não vale a pena criar enredos à volta das leis da Física. Porque são leis da Física, demonstradíssimas! Ponto final.
Isto para afirmar que as memórias não nos destroem nada...como avisam alguns filósofos...
Já contei aqui o que foi o meu ano de 1966: bem casadinho, dois filhotes já a andar, curso de Economia acabado, recrutado obrigatoriamente pelo Exército para o curso de capitães; objetivo render capitães do quadro permanente na guerra do Ultramar.
Como qualquer luso, o proibido não me repugna quando limitam os meus direitos básicos. O Rui ainda hoje me chama de insurreto...
E foi assim:
Em 1967 para se sair de Portugal era preciso uma licença militar, isto no masculino.
Que ninguém ma passava, claro, estava nomeado para Moçambique.
O meu batalhão aguardou o embarque em Portalegre - bifinhos no Tarro - já lá foram?
Vi que o quartel do Batalhão de Caçadores (Infantaria) de Portalegre, onde estávamos, como praça militar de fronteira, passava facilmente licenças de poucos dias para os militares poderem ir ver las chicas...las chicas...las chicas... ("doido compulsivo...")
Consegui uma destas licenças.
A 7 dias do embarque no Niassa, meti-me no carocha, passaporte em dia mais licença militar, deixaram-me sair para Espanha.
Só que continuei até Paris.
Pela terceira vez no quartier latin...hotel, sair para jantar, sentar na borda do passeio, junto a dezenas de jovens, muitos hipis...o conforto duma FN no bolso..., olhos quase fixos na Notre Dame, em frente...A nossa civilização...
Que emoção...
No dia seguinte, metro, até à sede da OCDE.
Concierge, escada alcatifada, circular, 1º andar. Muitos quadros nas paredes, pinturas originais dos maiores pintores de sempre -.pareceu-me...Veio um funcionário engravatado, muito alinhado, convidar-me para esperar numa sala, que havia muitas hipóteses, porque economista, de obter lá emprego.
Saiu.
E eu saí também a seguir. Metro, pagar o hotel, meter-me no carocha e aí vai ele...embarcar no Niassa...
NÃO CONSEGUI FUGIR...
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
NEGOMANO - 1ª SITUAÇÃO
Primeira situação em Negomano.
Ao fim de 2 dias de sobreposição, a companhia de caçadores (Infantaria) que fomos render partiu para Mueda.
O comandante da companhia - capitão miliciano (como eu) - já tinha partido de avião. Levaram a nossa Berlier (rebenta-minas) e todos os Unimogs.
Ficámos sós na 1ª fieira de arame farpado...nós, a Companhia de Cavalaria 1730...
Uma certa emoção...para todos nós...166 checa-checas (maçaricos em Angola)...
Ao fim dumas 3 horas de terem partido ouviu-se uma rajada de G3 duma sentinela dum dos nossos postos.
Era o sinal de alarme. O pessoal dos postos da frente saltou e instalou-se na vala: 2 bazucas e 3 morteiros 60 preparados. Depois mais todo o pelotão de piquete também instalado.
Muitas armas apontadas para a nuvem que se aproximava.
Belo binóculo, afinal era um jipe português que se aproximava a uns dois Kms. de distância.
Chegaram, bem armados, a coluna tinha tido um acidente muito grave.
Já tinha calculado que tinha havido problema com a coluna de caçadores que partira. Como tinham levado a berlier e os unimogues só tínhamos o meu jipe e o jipão do administrador de posto (Dr. Diamantino, beirão). Instalámos dois atrelados. O pelotão de piquete queria todo embarcar. Tive que excluir muitos, aos gritos. O administrador de posto, português valente como todos os outros, espingarda de repetição de caça grossa, foi um dos primeiros a saltar para o volante do seu jipão. Conduzi o jipe militar.
Ponte tosca de madeira partida a cerca de uma hora e meia de distância. Unimogue todo partido em baixo no ribeiro. Várias baixas, estado lastimoso. Trouxemos todos, ao colo... Todos cheios de sangue...vivos ou não...Até eu ao volante, cheio de sangue...E não só...Horror...
A Companhia de Caçadores continuou para Mueda. Iam dormir no mato e partir ao amanhecer.
Os nossos dois jipes e atrelados gemeram com o peso do pessoal, mas chegámos a Negomano.
Helicóptero e dornier (avião monomotor) de Mueda já tinham chegado a Negomano. Carregados, levantaram bem para o hospital militar de Mueda. Cirurgião chefe de Mueda, Dr. Manuel de Jesus (capitão) - perdoe-me ferir a sua modéstia - extremamente competente, era um "Deus" para o pessoal.
Os que tinham hipótese de se salvarem não morreriam...
Mas nunca soubemos mais nada...Foi sempre assim, nunca sabíamos mais nada...
Ao fim de 2 dias de sobreposição, a companhia de caçadores (Infantaria) que fomos render partiu para Mueda.
O comandante da companhia - capitão miliciano (como eu) - já tinha partido de avião. Levaram a nossa Berlier (rebenta-minas) e todos os Unimogs.
Ficámos sós na 1ª fieira de arame farpado...nós, a Companhia de Cavalaria 1730...
Uma certa emoção...para todos nós...166 checa-checas (maçaricos em Angola)...
Ao fim dumas 3 horas de terem partido ouviu-se uma rajada de G3 duma sentinela dum dos nossos postos.
Era o sinal de alarme. O pessoal dos postos da frente saltou e instalou-se na vala: 2 bazucas e 3 morteiros 60 preparados. Depois mais todo o pelotão de piquete também instalado.
Muitas armas apontadas para a nuvem que se aproximava.
Belo binóculo, afinal era um jipe português que se aproximava a uns dois Kms. de distância.
Chegaram, bem armados, a coluna tinha tido um acidente muito grave.
Já tinha calculado que tinha havido problema com a coluna de caçadores que partira. Como tinham levado a berlier e os unimogues só tínhamos o meu jipe e o jipão do administrador de posto (Dr. Diamantino, beirão). Instalámos dois atrelados. O pelotão de piquete queria todo embarcar. Tive que excluir muitos, aos gritos. O administrador de posto, português valente como todos os outros, espingarda de repetição de caça grossa, foi um dos primeiros a saltar para o volante do seu jipão. Conduzi o jipe militar.
Ponte tosca de madeira partida a cerca de uma hora e meia de distância. Unimogue todo partido em baixo no ribeiro. Várias baixas, estado lastimoso. Trouxemos todos, ao colo... Todos cheios de sangue...vivos ou não...Até eu ao volante, cheio de sangue...E não só...Horror...
A Companhia de Caçadores continuou para Mueda. Iam dormir no mato e partir ao amanhecer.
Os nossos dois jipes e atrelados gemeram com o peso do pessoal, mas chegámos a Negomano.
Helicóptero e dornier (avião monomotor) de Mueda já tinham chegado a Negomano. Carregados, levantaram bem para o hospital militar de Mueda. Cirurgião chefe de Mueda, Dr. Manuel de Jesus (capitão) - perdoe-me ferir a sua modéstia - extremamente competente, era um "Deus" para o pessoal.
Os que tinham hipótese de se salvarem não morreriam...
Mas nunca soubemos mais nada...Foi sempre assim, nunca sabíamos mais nada...
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
AVIÃO...AVIÃO...GRITAVA O PESSOAL...
Era a loucura no aquartelamento...
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
Sem ninguém dar ordem, os trinta e tal militares do pelotão de piquete desatava em grande correria para a pista de aviação. Para fazerem a segurança na aterragem.
Porque estávamos isolados e chegava contacto do resto do planeta.
E traziam o correio!
Um militar do SPM (Serviço Postal Militar) saía do avião e começava a distribuição de cartas, embalagens...incluindo chocolates...derretidos...A temperatura média em Negomano andaria pelos 40-42...
Vinham também visitas...Umas desejáveis - do alferes capelão de Mueda, o Padre João (que é feito de si, Padre João?) e outros e algumas pouco sociáveis - os homens da PIDE. Estes dirigiam-se imediatamente para a casa colonial onde residia o administrador de posto e família. Iam saber se eu me estava a portar bem...
Para terminar, um pouco de como funcionava a Companhia de Cavalaria 1730, a nossa companhia.
Era composta por 166 homens. Todos destemidos. Os menos destemidos também eram destemidos...por simpatia. Simpatia no sentido da simpatia dos explosivos...um explosivo faz explodir os explosivos próximos...
Os 166 homens estavam divididos em 5 pelotões ( trinta e tal homens cada): 4 operacionais, comandados cada um por um alferes e um pelotão de serviços, comandado pelo 1º sargento da companhia, que por acaso era um 2º sargento...já falecido, RIP.
Todos os dias estava um pelotão de guarda ao aquartelamento e um pelotão de piquete. Um ou dois pelotões andavam sempre por fora em patrulha.
Aliás estávamos sempre de piquete: andávamos sempre de G3 na mão e cinturão à cintura com 4 carregadores. Encostávamos a G3 à mesa onde comíamos e à cama, quando dormíamos...na cama. Eu tinha direito ainda a uma Walther de 9 mm.
O pessoal tornou-se exímio no tiro com a G3. Atirando a latinhas de cerveja colocadas ao longe no arame farpado. Ninguém falhava um tiro...
Depois, nos relatórios, eu exagerava as balas gastas nas operações...
Lembro-me do alferes médico da companhia, transmontano valente, pôr-se aos gritos...Mandem-me mais para o Norte! Isto porque se recusava a cumprir às vezes o ordenado nas neps (Normas de Execução Permanente) que recebíamos...Para bem da saúde do pessoal...
Fiz o mesmo muitas vezes. Sem gritar...Por exemplo, nunca obriguei o pessoal a levantar minas.
A alternativa era o meu plano A: um tronco pesado, uma granada ofensiva atada, cordel atado à argola, grampos da argola endireitados, esconder, puxa o cordel! Espreitávamos, se a cova era grande a mina tinha rebentado. Rebentou sempre. Mas se não rebentasse, tínhamos que passar ao plano B. Que não havia. Tinha que o desenrascar na altura...
Mais para Norte não nos mandavam...Ali a 50 metros era a Tanzânia...
Onde alguns de nós fizémos turismo...à Gaspar...de tanga...
(a) Agora a também mui digna Maria Luís Albuquerque
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O AMOR A 40 GRAUS... CELSIUS...
1. Acto ou efeito de cafrealizar ou de se cafrealizar.
2. [Depreciativo] [Depreciativo] Adoção por parte dos europeus de comportamentos associados aos indígenas africanos.
"cafrealização", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/cafrealiza%C3%A7%C3%A3o [consultado em 08-09-2014].
Éramos um grupo de 166 em Negomano, no Rovuma e no Lugenda, em 1967. Só salsichas...
Excluindo 2 dos sargentos do quadro permanente mais velhos, todos em idade de amar...
Nós os lusitanos nunca fomos esquisitos nessa área...
Quando um casal se junta, há automaticamente um merge, uma mistura de hábitos de um e de outro.
Cafrealizar não existe em português. Só para alguns tugas com manias de importância pessoal, tipo europeus bem
instalados...
E foi assim:
Éramos a Companhia de Cavalaria 1730, sediada em Negomano, no meio de duas altas fieiras de arame farpado.
Pertencíamos ao Batalhão de Cavalaria 1923, sediado em Mocímboa do Rovuma, com uma companhia operacional, a Companhia de Cavalaria 1729, e a CCS (Companhia de Comando e Serviços).
A restante companhia operacional em Nangade, Companhia de Cavalaria 1728.
Na nossa, a 1730, havia 3 ranchos diferentes:
O dos oficiais (6 manos), mais o administrador de posto português, sua esposa e filha.
O dos sargentos.
E o dos cabos e soldados.
O chefe do rancho dos soldados era o Soares, 1º cabo cozinheiro. Alentejano alto, forte, bem parecido.
Há muita mariquice num grupo de machos, e já me tinha soado que o Soares assediava uma maconde muito bonita,
todos os dias, muito cedo, junto ao rio Lugenda, onde ela ia lavar roupa.
Mas eu, o chefe, não tinha nada com isso. Não prejudicava o trabalho dele.
Vou abreviar...
Um dia à tarde, estava eu na sala de comando a escrever e a ler papelada, cireps, citreps, neps, etc., quando me entra no
gabinete o alferes de piquete, todo artilhado...G3, 4 carregadores no cinto, granadas defensiva e ofensiva nas alças dos
ombros, faca de mato, ar feroz...
Meu capitão, tem lá em baixo à sua porta centenas de macondes em protesto. Eu já devia estar um pouco surdo,
porque não tinha reparado no barulho...
Sabe porquê? Parece que o Soares se agarrou a uma maconde hoje de manhã no Lugenda. Houve violação? Não,
toda a gente viu que não houve.
Chame o Soares e dois cipaios do administrador de posto, sff -só os cipaios falavam português.
O Soares entra no gabinete lavado em lágrimas, que a sua apaixonada afinal era casada sem ele ter percebido.
Povo Maconde, povo monogâmico de maioria Cristã.
Soares aterrado, porque sabia que lhe ia acontecer o costume em casos graves: eu tinha que lhe dar 2 dias de prisão
(simbólico, não havia prisão nenhuma...) e era transferido para a sede do batalhão, em Mocímboa do Rovuma.
O maior "terror" de Negomano: aturar o tenente-coronel e os 2 majores...
Soares, tens coragem para ir pedir desculpas públicas à maconde e ao marido? Os olhos brilharam-lhe...Era uma
alternativa...Já podia alistar-se na GNR, como queria...
Alferes...chame os dois cipaios cá acima, sff.
Vão perguntar ao casal se aceitam desculpas públicas do cabo cozinheiro.
Imaginem a cena: desço com o Soares, o alferes e os dois cipaios, avançamos por entre os macondes, Soares de
mão estendida, dentes muito brancos de alegria da maconde e do marido.
Abraços... extensíveis ao pelotão de piquete... Lágrimas.
Dispersar...
Em tempo
Por várias cenas como esta, as mocinhas e mocinhos macondes e macuas da escola de português de Negomano
cantavam o Hino Português no içar da Bandeira ao Domingo.
Sabiam o nosso Hino melhor do que eu, português da "centésima milionésima" geração...
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
NAMPULA 1968
Porque as memórias se esfumam como o vento...
7 meses e 18 dias. Evacuado para o hospital militar de Nampula. Pouco mais de um mês internado. Visitado pelo comandante de batalhão e por vários capitães em risco de me irem substituir em Negomano. Esperançados que eu voltasse para Negomano...Mas nem lá foram ver...A única visita de oficial superior a Negomano foi a do brigadeiro (major-general) Remígio, comandante do subsector Porto Amélia (Pemba), no Natal. Visita muito estimada - pessoal em grande isolamento. A CCAV 1730 ficou a ser comandada pelo alferes mais antigo, hoje distinto coronel.
Ao tomar o avião para Nampula, o BD, médico amigo, disse-me que o cirurgião-chefe de Mueda lhe tinha confidenciado que eu teria poucos meses de vida....
7 meses e 18 dias. Evacuado para o hospital militar de Nampula. Pouco mais de um mês internado. Visitado pelo comandante de batalhão e por vários capitães em risco de me irem substituir em Negomano. Esperançados que eu voltasse para Negomano...Mas nem lá foram ver...A única visita de oficial superior a Negomano foi a do brigadeiro (major-general) Remígio, comandante do subsector Porto Amélia (Pemba), no Natal. Visita muito estimada - pessoal em grande isolamento. A CCAV 1730 ficou a ser comandada pelo alferes mais antigo, hoje distinto coronel.
Ao tomar o avião para Nampula, o BD, médico amigo, disse-me que o cirurgião-chefe de Mueda lhe tinha confidenciado que eu teria poucos meses de vida....
Imaginem...estremeci bastante...no avião...e não era turbulência...
---------------------
Mas até melhorei, passei a tratamento ambulatório. Adido ao batalhão de Caçadores de Nampula (Infantaria). Mais graduado, fui nomeado comandante da companhia de caçadores adidos. Trezentos e muitos lusos. Muletas, etc., maioria em mau estado... Mas muitos eram jovens "marginais" psiquicamente desequilibrados, sãos fisicamente, presos várias vezes, incontroláveis nas suas unidades: os dirty dozen do filme...Tinham camas para dormir, mas em estrados de madeira, não tinham colchões. Luta com o Conselho Administrativo, consegui os trezentos e tal colchões de espuma…”Promovido a rei”… Pela primeira vez alguém estava a conseguir controlá-los. Até se levantaram (pela 1º vez) na visita do brigadeiro Domingues (major-general), chefe do Estado Maior General Avançado.
Tempo depois, fui chamado ao seu gabinete: elogiou-me..., se seria voluntário para acompanhar uma missão difícil, comandada por um major, que a minha experiência prática em Negomano seria importante. Que incluiria dois pelotões de caçadores (um era de sapadores) e dois pelotões de operações especiais - rangers, comandados por um capitão. Eu seria o 3º na cadeia de comando. E se conseguiria arranjar 60 voluntários entre os "marginais". Um dia para pensar.
Não gostei...era pessoal a mais...a contra-guerrilha não é assim...Mas...
Tinha resolvido oferecer-me para tudo...Preferia não voltar a Portugal vivo...
Reuni a companhia à minha volta. Entusiasmo louco..., ofereceram-se cerca de 150 voluntários...em grande bandalheira. Mandei destroçar e passados minutos fui convidá-los um a um...
Operação arrancou a meio da noite... e correu mal…para nós…. mais para uns que para outros... Outras se seguiram.., que correram bem...; tinham a ver com mísseis anti-aéreos que a guerrilha estava a usar...Mísseis? Quais mísseis...? Vários dos “marginais” foram promovidos por distinção: convites a meterem o “chico”… Reabilitação de muitos…Quase todos...
Cenas de guerra?... Mutarara: várias...Ficam por contar...
Entretanto o tempo foi passando, fui melhorando como no filme Hereafter (Outra Vida-não deixem de ver…).
Fase de treino de salto de viaturas em andamento, utilizando o treino enquanto adolescente de salto dos eléctricos em fuga ao picas...Treino espectacular com Tugas loucos...Farda já muito suja, tinha caído uma vez. Aproximam-se dois oficiais em farda número 1...pareciam generais...Acompanhe-nos, o nosso brigadeiro quer falar-lhe na sala de operações do Estado Maior. Lá fui, coração pequenino, "que é que terás feito...". Entrada na sala, mais de 100 oficiais presentes, recebi um louvor verbal do brigadeiro, "discurso infindável"...(a)
No final, com a cara já "muito quente", o major da Psico destacou-se dum grupo, correu para mim, fez uma vénia budista, e abraçou-me com alguma violência...
"É um bem-aventurado, capitão Sá Pereira",
Estranho! Nunca tive oportunidade de lhe perguntar o que queria dizer...
Regressado a Lisboa, ”mandei vir” rapidamente a Teresocas… na foto com os irmãos Rui e Paulo… e continuo mais ou menos ... muito obrigado... Passaram-se 43 anos, estou cada vez mais conteente de estar vivo e nunca tinha contado isto a ninguém...
Deficiente militar em campanha, sem direito a nada, o Exército ainda me trata por capitão e dizem que ainda estão a tratar do meu processo…
Operação arrancou a meio da noite... e correu mal…para nós…. mais para uns que para outros... Outras se seguiram.., que correram bem...; tinham a ver com mísseis anti-aéreos que a guerrilha estava a usar...Mísseis? Quais mísseis...? Vários dos “marginais” foram promovidos por distinção: convites a meterem o “chico”… Reabilitação de muitos…Quase todos...
Cenas de guerra?... Mutarara: várias...Ficam por contar...
Entretanto o tempo foi passando, fui melhorando como no filme Hereafter (Outra Vida-não deixem de ver…).
Fase de treino de salto de viaturas em andamento, utilizando o treino enquanto adolescente de salto dos eléctricos em fuga ao picas...Treino espectacular com Tugas loucos...Farda já muito suja, tinha caído uma vez. Aproximam-se dois oficiais em farda número 1...pareciam generais...Acompanhe-nos, o nosso brigadeiro quer falar-lhe na sala de operações do Estado Maior. Lá fui, coração pequenino, "que é que terás feito...". Entrada na sala, mais de 100 oficiais presentes, recebi um louvor verbal do brigadeiro, "discurso infindável"...(a)
No final, com a cara já "muito quente", o major da Psico destacou-se dum grupo, correu para mim, fez uma vénia budista, e abraçou-me com alguma violência...
"É um bem-aventurado, capitão Sá Pereira",
Estranho! Nunca tive oportunidade de lhe perguntar o que queria dizer...
Regressado a Lisboa, ”mandei vir” rapidamente a Teresocas… na foto com os irmãos Rui e Paulo… e continuo mais ou menos ... muito obrigado... Passaram-se 43 anos, estou cada vez mais conteente de estar vivo e nunca tinha contado isto a ninguém...
Deficiente militar em campanha, sem direito a nada, o Exército ainda me trata por capitão e dizem que ainda estão a tratar do meu processo…
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